NOVE ANOS SEM CELSO BLUES BOY
13/01/2021 16:05 em Música

O LENDÁRIO CELSO BLUES BOY COM QUEM ESTEVE COM ELE AO VIVO E A CORES

No último dia 5 de janeiro, Celso Blues Boy teria completado 65 anos se não tivesse partido para o Mississipi eterno há nove anos após ter sido surpreendido por um tumor na garganta quando vivia o alge da sua vitoriosa carreira, onde era o maior nome do Rock & Blues nacional e um dos maiores da guitarra mundial. O Mago da Fender nasceu em Blumenau há 56 anos e foi criado no Rio de Janeiro. Vivia em Joinville, onde foi buscar traquilidade e estrutura. Lá, ele fez amigos e também convidava músicos da região para acompanhá-lo nas turnês pela região Sul. Ele não acordou numa manhã de segunda-feira e teve seu pedido acatado pela família. Disse que não queria ser velado e nem que fizessem cerimônias religiosas; que apenas fosse cremado. O que ocorreu em 8 de agosto em Blumenal, para onde seu corpo foi levado. Mas, como deuses não morrem ele também continua vivo na memória de todos os seus fãs espalhados pelo mundo afora. Se quiserem saber mais sobre sua biografia, trajetória artísitca e discografia, entre no Wikpedia porque aqui vamos reunir histórias que valham a pena serem contadas para que possamos conhecer o homem que ele foi. Uma dessas histórias começa comigo mesmo. Entre nos comentários e deixe aqui a suas lembranças para que o legado desse grande artistia não seja esquecido.

Rubens Rodrigues, guitarrista e radialista.

" Eu estava de plantão na delegacia onde trabalhava quando o presidente do motoclube de uma cidade vizinha telefonou e me ordenou que deixasse tudo o que estava fazendo e fosse ao seu encontro no evento que áquela hora já estava lotado com milhares de pessoas aguardando os shows. Entrei com a viatura no meio da multidão e a estacionei atrás do palco. Quando entrei no backstage, dei de cara com Celso sentado numa mesa de boteco bebendo cerveja em lata com o guitarrista Fabinho do Blues. Já havíamos nos encontrado outras vezes, mas nequele dia foi diferente. Conversamos muito, rimos e acabamos indo para um boteco jogar sinuca até a hora da sua apresentação. Pena que por estar trabalhando e dirigindo uma viatura policial eu não bebi nem uma latinha. Mas, valeu a pena porque foi como um flamenguista jogar pelada com Zico. Na volta, ele me disse assim que entrou na viatura e eu acendi o giroflex e a sirene para abrir caminho no trânsito: "Gostei... aqui na frente eu nunca tinha andado!!!" Claro que tem umas mentirinhas aí...

Fabinho do Blues, guitarrista que encerrou a apresentação de Celso no Itaborai Moto Clube Festival de 2011.

"Eu fui convidado pelo Carlos Cabral que havia organizado o show do Celso para tocar com a minha banda na abertura da apresentação ele. Só que ele chegou cedo demais ao palco para fazer a passagem de som e ficou ali no meio da gente na maior humildade bebendo cerveja e falando besteiras como se nos conhecesse de décadas. Sei que depois de umas doze latinhas, em vez de ficar corajoso me deu uma tremedeira nas pernas na hora em que ele acabou de tocar o Hino nacional e levantou a Telecaster para que eu assumisse o palco. Receber a guitarra das mãos dele e continuar tocando 'Aumenta que isso aí é Rock and Roll' foi um dos momentos mais bacanas que eu vou levar para quando me encontrar com ele de novo"

Wellington Gama, iluminador do Circo Voador e Teatro Rival que trabalhou na gravação do DVD em 2009.

"Celso estava se preparando para gravação do DVD ao vivo do CD 'Quem foi que falou que acabou o Rock and Roll' e eu ficava todos os dias com ele após os ensaios. Íamos beber cerveja nos bares da Lapa e Cinelândia até quase o dia amanhecer. Numa dessas noites uma menina o reconheceu e ficou no bar bebendo com a gente. Quando ela disse que tocava guitarra, ele a convidou para o ensaio do dia seguinte. Quando saímos do bar, o balconista pegou o copo de plástico onde ele havia tomado café e escreveu "Celso Blues Boy bebeu café neste copo" e o colocou em exposição junto das garrafas do bar. Me chamava de Tom porque Wellington dava muito trabalho. Deixou uma saudade gigante!"

Marcelo Rizzatti, guitarrista que tocava com Celso nas turnês no Sul.

 

"Eu me lembro de quando comprei o disco "Celso Blues Boy 3", tinha todos os vinis dele. Mas nunca tinha conversado com o Celso até encontrar com ele para o primeiro ensaio. Foi meio surreal. Pra mim, ele era disparado o melhor guitarrista do Brasil."

Marcelo Rizzatti, Parfitt Balsanelli, Rafael Vieira e o cineasta Roger Robleño que acompanhavam Celso pelas turnês no Sul.

Parfitt Balsanelli, baixista que tocava com Celso nas turnês no Sul.

"Tocamos pouco mais de dois anos com ele. Além da contribuição na música, ele era uma figura. As viagens pareciam sala de aula e ele gostava disso: para o Celso, parecia obrigação passar o que ele tinha aprendido durante a carreira. É uma lacuna que não tem como substituir, ficou um buraco na música nacional."

Rafael Vieira, baterista que tocava com Celso nas turnês no Sul.

"Foi uma baita experiência tocar com ele. O Celso era muito regrado e objetivo, com ele não tinha enrolação. A gente sentia, naquela época, que ele já estava meio debilitado, mas na hora de tocar ele levantava a galera. Ele nos tratava como iguais e nunca ficava nervoso, a não ser quando algo dava errado - como na vez em que estávamos viajando, a janela do carro quebrou e todas as guitarras dele caíram na rua."

Roger Robleño, cineasta, era amigo e começou a gravar um documentário sobre a história do rock nacional com Celso.

"Conheci o Celso há quase 20 anos, antes de ele vir morar em Joinville. Ele escolheu a cidade porque queria um lugar tranquilo, mas que tinha aeroporto. Às vezes, ele me falava 'vamos lá buscar um amigo no aeroporto', nós chegávamos e era o Luiz Melodia. Esses caras vinham visitar ele aqui, passavam o dia na casa dele. O Celso adorava o Piraí e uma cervejinha. Ele brincava dizendo: a cerveja me salvou do alcoolismo."

Cleiton Profeta, músico e dono da loja de instrumentos Circus Musicalis, que Celso freqüentava.

"Ele sempre vinha comprar instrumentos na minha loja e era um cara muito legal, virou meu amigo. O Celso foi um divisor de águas na música do Brasil, ele era contemporâneo do pessoal dos anos 1980, como Legião, Cazuza, mas enquanto esse pessoal foi pro new wave, ele quis buscar a raiz do rock, com o blues. Com isso, trouxe uma sonoridade diferente pra nossa música."

Gustavo Steingraber, amigo e dono do Taberna Music Hall, onde Celso se apresentou algumas vezes em Joinville.

"Ele vai fazer muita falta, o nome dele vai ficar gravado na história da música. Era um cara que abria o jogo e quando estava num lugar era sempre o centro das atenções. Onde estivesse, todo mundo prestava atenção nas histórias dele."

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