Celso Ricardo Furtado 'Blues Boy' de Carvalho. A lenda do Blues
07/01/2020 11:30 em Música

Eita... tempos difíceis!!! Lá se foi mais um ano sem a voz rouca e a guitarra única do nosso ídolo e amigo, que teria completado 64 anos dia 5 se Deus não quisesse levá-lo há sete anos para tocar seus blues no Céu. Celso deixou um enorme legado e uma legião de fãs para todo o sempre e, certamente, sempre brilhará nos nossos corações. A Rádio RJ-106 tem nele o seu padrinho e uma das razões de existir para que sua obra nunca caia no ostracismo; para que os velhinhos se lembrem e os pivetes o conheçam.

O 'Mago da Fender' ficou conhecido após gravar uma participação num vinil produzido pela saudosa Rádio Fluminense de Niterói, a Maldita FM da Monica Venerabille e Millena Ciribelle no início dos anos oitenta. "Aumenta que isso é Rock and Roll" explodiu no meio da musica da época que tinha tudo, menos rock e blues de verdade e foi, sem dúvida, a chave do seu sucesso eterno. 

Ele começou a tocar profissionalmente com dezesseis anos perseguindo Sá e Guarabira, onde ganhou o apelido de Blues Boy já que enchia de benjs todas as modinhas da dupla meio rock rural. Nem mesmo Raul Seixas conseguiu controlar o overdrive Boss - unico efeito que usava - e o jeito foi fazer o que fez. Seguir sua saga pelas veredas do blues!

Renato Barros, guitarrista e líder da famosa banda Renato e Seus Blues Caps, era um dos seus poucos amigos no dia-a-dia e, numa entrevista pouco após a saída do trem da estação, disse que eles estavam num quiosque no Recreio dos Bandeirantes quando percebeu um nódulo no pescoço e pediu que ele fosse olhar aquilo. Como resposta ouviu "vivi como eu quis e vou morrer como eu quero, não vão me trancar num quarto vazio longe da minha guitarra, do meu Shelton e da minha cervejinha." e assim, não foi buscar ajuda decidindo seguir seu destino de andarilho até que não pudesse mais. Esse dia chegou no Festival de Jazz & Blues de Rio das Ostras de 2012, quando se apresentou já sem poder cantar e ostentando sem pudor um tumor enorme que lhe tiraria a vida pouco tempo depois. Ele foi para a sua chácara em Joinville/SC e lá esperou as nuvens negras chegarem; arrumou seus trapos e seguiu para a estação fumando na escuridão porque as luzes haviam se apagado e o tempo não o havia poupado porque o tempo não poupa ninguém.   

Ficaram para trás as As Noites Cariocas no Morro da Urca e os shows nas madrugadas do Circo Voador na Lapa que terminavam só no dia seguinte na Praia do Diabo onde, em plena praia, ele tocava tudo de novo dentro daquela calça de couro.

Aqui na Rádio RJ-106, onde sua presença é sentida e imprescindível, suas composições podem ser auditadas diariamente no programa Mestres do Blues que conta só com ele de brazuca.

Dia 8 de fevereiro, uma grande noite no Skull Beer Bar de Itaipuaçu com os melhores 'bluesboyzeiros' do pedaço está sendo preparada e nós divulgaremos quando der onze horas da manhã. A banda Mississippi Blues ficará encarregada do tributo ao nosso Celsão. Segue abaixo o link de uma das últimas entrevistas na Globo News quando lançou o CD Por Um Monte de Cerveja. Assista e compartilhe!

https://www.youtube.com/watch?v=aMXXJypLbm8

Redação: Rubens Rodrigues                                                                                                                                                                   

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